Ervas frescas, cheiro-verde e especiarias: escolha e uso

Poucas coisas mudam tanto um prato simples quanto um punhado de erva fresca picada na hora. O problema é que ervas são delicadas: murcham na geladeira, perdem aroma na panela e, quando secas, ficam esquecidas no armário até virarem pó sem cheiro. Este guia reúne informações de fontes confiáveis, principalmente da Embrapa, sobre como escolher, guardar e usar ervas frescas e secas, e explica o que é o famoso cheiro-verde e o clássico buquê garni.

O que é o cheiro-verde

A combinação de cebolinha com salsa ou com coentro é conhecida popularmente como cheiro-verde. Segundo a Embrapa Hortaliças, todas são plantas condimentares, usadas em vários países há centenas de anos. Repare que o nome não designa uma planta única, e sim um par ou um maço: dependendo da região e da feira, você leva cebolinha com salsa, ou cebolinha com coentro.

A família botânica ajuda a entender o sabor. A cebolinha pertence à família das aliáceas, a mesma do alho e da cebola, e por isso tem esse toque de cebola fresca. A salsa e o coentro pertencem à família das apiáceas. A Embrapa lembra que são cultivadas duas espécies de cebolinha: a cebolinha-verde ou comum, originária do Oriente ou da Sibéria, e a cebolinha de folhas finas ou galega, originária da Europa.

Como escolher no mercado ou na feira

A cebolinha é vendida em maços, sozinha ou acompanhada de salsa ou coentro. A recomendação da Embrapa é escolher folhas verdes, túrgidas, com aspecto de produto fresco, sem pontos amarelados ou escuros. Túrgida quer dizer firme, cheia de água, e não caída.

Algumas diferenças que ajudam na hora de decidir:

  • Cebolinha comum: folhas mais grossas e de verde mais claro, com sabor mais acentuado.
  • Cebolinha galega: folhas mais finas e sabor mais suave.
  • Salsa: pode ter folhas lisas ou crespas; a de folhas lisas é a preferida pelo sabor e pelo aroma. Suas folhas são mais escuras, mais grossas e mais firmes que as do coentro, e por isso costumam ser escolhidas para decorar pratos.
  • Coentro: tem cheiro mais forte e muito singular, enquanto o da salsa é mais suave.

Salsa e coentro: quando usar cada um

O uso do coentro varia de região para região. Tradicionalmente, ele é associado a pratos à base de peixe, e no Nordeste aparece em quase todos os pratos, segundo a Embrapa. A salsa e a cebolinha, por sua vez, podem ser usadas em praticamente todos os tipos de pratos salgados, do arroz com feijão do dia a dia até preparações mais sofisticadas. Também entram cruas em saladas e sanduíches e como ingredientes de marinadas para temperar carnes.

O coentro tem ainda uma segunda vida: a semente. A Embrapa informa que ela também é usada como condimento, é um dos ingredientes do curry e costuma ser encontrada nos mercados junto aos temperos secos. Seu sabor e seu cheiro são mais suaves e distintos dos das folhas, o que mostra que a mesma planta pode render dois temperos bem diferentes.

O buquê garni

Buquê garni é uma expressão francesa para um pequeno molho de ervas amarrado para perfumar um cozimento. A Embrapa o descreve como uma mistura clássica que inclui tomilho, louro, salsa e aipo, embrulhados nas folhas escuras do alho-porró e bem amarrados com barbante. Ele é adicionado a pratos de cozimento lento e retirado quando o prato está pronto, antes de servir.

A lógica é prática. Em caldos, ensopados e molhos que cozinham por bastante tempo, você quer o aroma das ervas na panela, mas não quer ficar pescando galhos e folhas no prato. Amarrar tudo permite retirar de uma só vez. Compare com o cheiro-verde picado: esse entra no fim e fica no prato, o buquê entra cedo e sai antes de servir.

Como conservar as ervas frescas

Em condição natural, as folhas de cheiro-verde murcham e amarelam rapidamente. A orientação da Embrapa é conservar em geladeira as folhas que não forem consumidas no mesmo dia da compra, e, antes de guardar, descartar as folhas amareladas, com manchas escuras ou murchas. O material indica consumir em até uma semana quando refrigeradas.

Se a salsa e o coentro estiverem ligeiramente murchos, a dica é cortar as pontas dos cabinhos e deixá-los por alguns minutos em água fria, o que faz as folhas recuperarem a firmeza. As folhas de cebolinha também podem ser reidratadas do mesmo jeito, aparando antes a base.

Para congelar, a Embrapa sugere lavar e picar as folhas e colocá-las em forminhas de gelo cheias de água. Depois de congeladas, os cubos são retirados e guardados em sacos plásticos. Assim, você tira um cubinho e joga direto na panela do feijão ou da sopa. Lembre que ervas congeladas em água servem para cozimentos, não para saladas ou finalizações cruas, em que a textura fresca importa.

Quando colocar a erva no prato

Para preservar o cheiro e o sabor, a Embrapa recomenda acrescentar o cheiro-verde preferencialmente no final do cozimento. Quando for usar cru, a orientação é lavar e higienizar as folhas com sanitizante próprio para hortaliças antes de adicioná-las ao prato.

Note o contraste com o buquê garni, também descrito pela Embrapa: ele é adicionado a pratos de cozimento lento e retirado ao final, enquanto o cheiro-verde entra perto do fim e fica no prato. Cada preparo tem o seu momento.

Ervas secas e especiarias: como guardar

Ervas secas e especiarias são minimamente processadas, segundo o Guia Alimentar do Ministério da Saúde, que inclui no grupo o cravo, a canela, as especiarias em geral e as ervas frescas ou secas. O que as estraga não é um prazo de validade rígido, e sim a perda de aroma.

A Penn State Extension recomenda guardar ervas e especiarias em recipientes herméticos, em lugares secos, longe da luz do sol e do calor. Isso significa que a prateleira ao lado do fogão, embora prática, não é o melhor lugar. Os temperos moídos degradam mais rápido que os inteiros, e a instituição sugere avaliar temperos moídos e todas as ervas depois de seis meses, checando o aroma: se o cheiro característico sumiu, é hora de substituir. Para prolongar a vida, é possível congelar especiarias e ervas, mas convém deixá-las chegar à temperatura ambiente antes de abrir o pote, para evitar condensação.

O teste do aroma é simples e gratuito: esfregue uma pitada entre os dedos e cheire. Se o perfume é fraco, o sabor também será.

Erros comuns

  • Guardar o maço de ervas inteiro na geladeira sem tirar as folhas amareladas ou manchadas.
  • Cozinhar salsa, coentro e cebolinha por muito tempo e perder o aroma.
  • Deixar o pote de especiarias aberto ou perto do fogão e da janela.
  • Usar erva seca esquecida há muito tempo e ainda esperar o mesmo perfume.
  • Esquecer de higienizar as folhas que vão cruas para o prato.

Pontos para lembrar

  • Cheiro-verde é a combinação de cebolinha com salsa ou coentro, e não uma planta única.
  • A cebolinha é da mesma família do alho e da cebola; salsa e coentro são apiáceas.
  • A semente do coentro é um condimento à parte e um dos ingredientes do curry.
  • O buquê garni reúne tomilho, louro, salsa e aipo em folhas de alho-porró e sai da panela antes de servir.
  • Acrescente o cheiro-verde de preferência no fim do cozimento.
  • Guarde ervas secas e especiarias bem fechadas, em local seco, longe de luz e calor, e confira o aroma.

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Perguntas ligadas a este guia

Em que momento do preparo a Embrapa recomenda acrescentar o cheiro-verde para preservar seu cheiro e sabor?

Resposta: De preferência no final do cozimento

Segundo a Embrapa Hortaliças, para preservar o cheiro e o sabor, o cheiro-verde deve ser acrescentado preferencialmente ao final do cozimento.

Fonte: Embrapa Hortaliças - Cheiro-verde (coleção Hortaliça não é só salada)

Qual é a forma recomendada de guardar ervas secas e especiarias para manter o aroma?

Resposta: Em recipientes bem fechados, em local seco, longe da luz e do calor

A Penn State Extension orienta guardar ervas e especiarias em recipientes herméticos, em locais secos, longe do sol e do calor. Os temperos moídos perdem qualidade mais depressa que os inteiros, e um aroma que desapareceu indica que é hora de repor.

Fonte: Penn State Extension - Storing Staple Ingredients in the Kitchen

A cebolinha, um dos componentes do cheiro-verde, pertence à mesma família botânica de quais alimentos, segundo a Embrapa?

Resposta: Alho e cebola (família das aliáceas)

A Embrapa explica que a cebolinha pertence à família das aliáceas, a mesma do alho e da cebola. Já a salsa e o coentro fazem parte da família das apiáceas.

Fonte: Embrapa Hortaliças - Cheiro-verde (coleção Hortaliça não é só salada)

Fontes consultadas

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